Nada chega do nada.

O impacto do estilo de vida nas doenças crônicas e na vida que queremos viver.

Olá, tudo bem?

A vida anda mais lenta por aqui. Não em presença, aprendizado e vivência. Muito menos na maternidade. Mas se você me acompanha em outras redes, sabe que esse mês passei 10 dias sozinha fazendo o Caminho de Santiago. 

(Sobre essa aventura, contei um pouco na minha outra Newsletter da semana passada. Você assina lá também? Conheça esse meu outro canal e assine aqui para ler e receber. Tem uma página toda sobre esse projeto aqui.

E entre tantas coisas que fiz e não fiz durante o caminho, escolhi parar tudo que era possível parar. E tenho lentamente olhado para as minhas escolhas me perguntando quais delas escolheria de novo, e como. 

Na consciência de que somos um ser humano com o tempo e a energia de uma única pessoa, escolher melhor, se não é o único, é o caminho.

Tudo isso para dizer que, provavelmente, vou fazer mudanças por aí. E já convido para se inscrever e me seguir na outra plataforma e nos meus outros canais.

Vamos à edição?

Na edição passada, falei sobre o falatório mental e sobre como o ambiente físico ao redor interfere diretamente na nossa mente, moldando o que pensamos, o que sentimos e como agimos. Se você ainda não leu, vale muito a pena revisitar. O acervo das edições estão aqui. 

Hoje quero aprofundar essa conversa sobre estilo de vida e saúde. Sobre o impacto real, concreto e mensurável das nossas escolhas diárias no desenvolvimento das doenças. Aquelas que progridem devagar, e que, muitas vezes, chegam com a sensação de que eram inevitáveis.

Mas será que eram?

É mais do que urgente abrirmos a mente para o fato de que nada chega do nada.

Vamos juntas?

Marina Rondon

O que são doenças crônicas e por que isso importa para você

Doenças crônicas são condições de saúde que progridem lentamente, tendem a ter longa duração e frequentemente exigem atenção médica contínua. Não são infecciosas.

Não chegam de repente como uma gripe. Elas se instalam, e vão afetando, pouco a pouco, todas as áreas da vida.

Alzheimer, artrite, doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer, obesidade e diabetes tipo 2 são alguns exemplos. Talvez você já conviva com uma delas, ou conheça alguém próximo que convive.

Os números são realmente impactantes. E só crescem. E o que mais tem me preocupado: essas condições têm chegado cada vez mais cedo na vida das pessoas. 

Será que a vida que estamos vivendo, como estamos nos cuidando, o ambiente que habitamos e como passamos nossos dias têm a ver com isso?

Dois terços de todas as mortes no mundo são causadas por algum tipo de doença crônica. E aproximadamente 1 em cada 3 adultos vive com mais de uma condição crônica ao mesmo tempo. 

Não é mais uma estatística distante, nem uma doença que vem só no final da vida. Provavelmente, quando você olha ao redor, essas pessoas estão na sua família, no seu trabalho, no seu círculo de amigos.

E quanto mais estudo, mais há dados e pesquisas que confirmam: doenças crônicas como doença cardíaca, câncer, AVC, diabetes e doenças respiratórias não são causas. São efeitos.

Efeitos que, em grande parte, temos a responsabilidade e a capacidade de prevenir e reverter.

Pesquisas mostram que é possível reduzir em até 80% o risco de doenças cardíacas apenas com mudanças no estilo de vida. Comer melhor, se mover mais, não fumar e dormir bem, quando feitos de forma consistente, têm mais poder do que imaginamos.

E então a pergunta que não me saiu da cabeça depois dessa aula foi: se sabemos disso, por que não agimos?

O que eu sei x o que eu faço

Aqui mora um dos maiores paradoxos da saúde moderna.

Nunca tivemos acesso a tanta informação sobre saúde. Livros, podcasts, redes sociais, médicos, nutricionistas, estudos científicos. E, ainda assim, as doenças crônicas seguem crescendo.

O problema não é o conhecimento. É a distância entre o que sabemos e o que fazemos todos os dias.

O que importa não é o que eu sei. É o que eu faço com o que sei, todos os dias, nas escolhas mais simples e mais cotidianas. Como transformo conhecimento em ação.

Essa é a virada. E é exatamente aqui que mora o trabalho que faço na Arquitetura de Vida.

Não é sobre saber mais. É sobre agir melhor. 

Apoio pessoas nessa travessia, com estratégias concretas de mudança de estilo de vida. Juntas, criamos consciência sobre as escolhas do dia a dia, buscamos a raiz das suas questões, fazemos ajustes que melhoram a qualidade de vida de forma real e sustentável. 

E todo esse processo vem acompanhado de estrutura, movimento e apoio emocional, porque mudar hábitos é desafiador, e a vida não para enquanto a gente tenta.

Não basta abrir a consciência de que nossas escolhas têm impacto. É preciso saber como mudar esse resultado. Com um novo estilo de vida. Aquele que constrói uma vida que cuida de mim.

Se quiser apoio nessa construção, saiba mais sobre o Diagnóstico de Estilo de Vida aqui.

É a pausa e análise do que faço.Uma sessão única e profunda nos seus hábitos e na sua vida. Saiba mais no meu site.

Os cinco fatores que influenciam as doenças crônicas

O risco de desenvolver uma doença crônica não é determinado por um único fator. Há um conjunto de elementos que interagem e moldam a nossa biologia ao longo do tempo. Conhecê-los nos dá poder de agir com mais intenção e consciência.

Epigenética

Costumamos pensar que os nossos genes são um destino fixo. Mas a ciência da epigenética mostrou que os comportamentos e o ambiente afetam a forma como os nossos genes se expressam. Podemos influenciar essa expressão. O DNA não é uma sentença, é uma possibilidade. E o estilo de vida é um dos principais fatores que moldam os nossos genes.

Como você avalia as doenças hoje? Acredita que são genéticas, um destino?

Estilo de vida

Atividade física, alimentação, tabaco, álcool, qualidade do sono, nível de estresse. São esses hábitos, repetidos dia após dia, que criam processos inflamatórios, afetam hormônios, regulam o metabolismo e definem, em grande parte, o ambiente interno do nosso corpo. O estilo de vida não é um detalhe. É o fator mais determinante da nossa saúde a longo prazo.

Como avaliaria o estilo de vida que vive hoje?

Saúde metabólica

A síndrome metabólica, que inclui pressão arterial elevada, nível de açúcar no sangue desregulado, gordura corporal aumentada e colesterol alterado, está diretamente ligada ao desenvolvimento de doenças crônicas. E os padrões alimentares têm um papel central nisso. Não como dieta ou restrição, mas como escolha cotidiana do que coloco no meu corpo.

Se olhasse para as suas escolhas alimentares com honestidade, elas estão a favor da sua saúde?

Ambiente

Onde vivemos e trabalhamos afeta a nossa biologia de formas que muitas vezes não percebemos. A exposição a poluentes, a qualidade do ar, a relação com a natureza, as conexões sociais que o ambiente propicia, tudo isso impacta o corpo. 

O ambiente ao redor não é neutro. Ele constrói ou desgasta a nossa saúde. E podemos ampliar esse olhar para os lugares que frequentamos e as pessoas que fazem parte do nosso dia a dia. Tudo pode drenar ou nos dar saúde.

Como avaliaria o ambiente em que vive?

Determinantes sociais

Vale lembrar que nem tudo está ao nosso alcance. Muitos podem ter o privilégio de escolher. O acesso à alimentação de qualidade, à água limpa, à moradia, à educação e ao cuidado em saúde influenciam profundamente o risco de desenvolver doenças crônicas. 

Experiências adversas na infância, nível de renda, condições de trabalho. Esses fatores impactam de forma significativa a saúde ao longo de toda a vida. Saúde não acontece em um vácuo. Ela é também uma questão coletiva, de políticas e de estrutura.

Prevenir é possível. E reverter, também.

Durante muitos anos, a medicina foi construída para tratar doenças quando elas chegam.

Esperamos o diagnóstico para agir.

Tratamos os sintomas, mas nem sempre as causas. E isso é necessário, sim. Mas não é suficiente. Enquanto não resolvemos as causas, vivemos esperando as doenças para remediá-las.

A prevenção real começa antes. Começa no estilo de vida.

Na forma como comemos, dormimos, nos movemos, gerenciamos o estresse, cuidamos das relações e construímos o ambiente em que vivemos.

E para quem já convive com uma dessas condições, respira. Há algo igualmente importante a saber: não se trata só de prevenir.

O médico Dean Ornish, um dos pesquisadores mais respeitados nesse campo, dedicou décadas de estudos a mostrar exatamente isso. 

No livro Reverta, ele apresenta evidências de que mudanças consistentes de estilo de vida têm o poder de interromper e, em muitos casos, reverter a progressão das doenças crônicas mais comuns. Não é uma promessa mágica. É o que os estudos apontam. O corpo tem uma capacidade extraordinária de se reorganizar quando o ambiente interno muda. Quando deixamos de alimentar a doença e passamos a construir saúde.

Há inúmeros estudos mostrando que simplesmente comer mais frutas, legumes e grãos inteiros, associado a se mover mais, não fumar e dormir bem, já é suficiente para reduzir em 80% o risco de doenças crônicas. 

Pesquisas apontando, de forma consistente, para o mesmo lugar: mudança de estilo de vida. Sem fórmulas mágicas. Sem suplementos revolucionários.

O básico, bem feito, de forma consistente.

Isso não significa perfeição. Significa direção. E o que fazemos todos os dias, mesmo que imperfeito, tem um impacto muito maior do que aquilo que fazemos eventualmente, mesmo que espetacular.

O que você pode começar a fazer hoje

Não existe uma única resposta para todos. Somos seres bio-individuais, e o caminho de cada um é único. Mas há alguns pontos de partida que a ciência aponta, de forma consistente, como importantes para qualquer pessoa.

  • Olhe para a sua alimentação. Não como dieta, mas como escolha cotidiana. Reduzir açúcar, ultraprocessados, álcool e tabaco são atitudes que impactam a biologia de forma real. Não precisa ser tudo de uma vez. Comece por aquilo que você já sabe que não te faz bem.

  • Mova o seu corpo. De forma suave, regular, agradável. Caminhar já é um ato de prevenção poderoso. Não precisa ser intenso para ser eficiente. Precisa ser constante.

  • Cuide do sono. Já falei dele na edição 29. Ele regula hormônios, controla inflamação, organiza o sistema imunológico. Dormir bem é base.

  • Reduza o estresse crônico. Não o estresse pontual, que é parte da vida. Mas o estresse contínuo, aquele que nunca desacelera. Ele inflama o corpo, altera hormônios e abre portas para doenças. Ferramentas como meditação, respiração, natureza e descanso intencional já mostraram evidências de impacto real na redução do estresse.

  • Cultive relações que te nutrem. O amor, as conexões reais e o senso de pertencimento não são apenas conforto emocional. Eles têm impacto biológico direto. Pessoas com vínculos saudáveis adoecem menos, se recuperam mais rápido e vivem mais. A solidão crônica inflama o corpo da mesma forma que o estresse. Cuidar de quem você ama e de como você se relaciona é um ato de saúde.

  • Observe o seu bem-estar emocional. Pessoas com doenças crônicas têm risco significativamente maior de desenvolver depressão. E o caminho inverso também é verdadeiro: estados emocionais crônicos de sofrimento enfraquecem o corpo. Cuidar da mente é cuidar da saúde física.

  • Mantenha o cérebro ativo. Ler, aprender algo novo, ter conversas que te desafiam, criar, explorar. A inatividade mental é um fator de risco real para as doenças neurodegenerativas.

    O livro Mente Afiada, de Ayesha e Dean Sherzai, dois neurologistas que pesquisam prevenção do Alzheimer, traz um dado que me impactou muito: essa doença começa a se desenvolver em silêncio entre os 35 e os 65 anos, décadas antes dos sintomas aparecerem. O que fazemos hoje, inclusive como estimulamos o cérebro, já está moldando quem seremos mais adiante. Assim como o corpo precisa se mover, o cérebro precisa ser desafiado.

    O que as minhas escolhas diárias estão construindo?

O seu papel nessa história

Não existe um especialista no mundo que possa construir a sua saúde por você. Médicos, nutricionistas, personal trainers, coaches de saúde, todos têm um papel importante de apoio e orientação. Mas a construção é sua.

Saúde é construção. E é sua responsabilidade.

É você que acorda e escolhe o que coloca no prato, se levanta do sofá, dorme no horário certo, diz não para aquilo que drena e sim para o que nutre.

Isso não é responsabilização simplista. É reconhecer que temos mais poder do que nos disseram. Que doenças crônicas, em grande parte, não são inevitáveis. E se vierem até nós, a nossa reserva de saúde nos ajudará a atravessar esse desafio de uma forma muito melhor.

Não duvide: o estilo de vida é o maior fator de impacto na saúde, mais do que os genes.

Somos o resultado do nosso DNA mais as nossas escolhas.

E tem mais uma coisa que a ciência confirma e eu acredito profundamente: pessoas que têm um propósito claro, uma razão para se levantar de manhã, vivem mais e com mais saúde. Propósito é saúde também. 

Construir saúde é honrar a própria vida.

Saúde e longevidade

O corpo humano funciona como um sistema integrado, em que tudo está conectado e em constante movimento. 

Saúde e longevidade são consequências naturais do equilíbrio dinâmico das nossas funções biológicas: absorção de nutrientes, digestão e microbioma; defesa e reparo; geração de energia; desintoxicação; comunicação intercelular e equilíbrio hormonal; circulação; e estrutura musculoesquelética.

Quando cuidamos dessas funções com estratégias de estilo de vida e com atenção ao nosso ambiente, conseguimos os melhores resultados possíveis: prevenir doenças, fortalecer o corpo de dentro para fora e prolongar a expectativa de vida com saúde real.

É sobre o conjunto de hábitos. É sobre entender que tudo o que fazemos afeta essas funções. E que, ao cuidarmos de todas elas com intenção, estamos construindo uma base sólida para a vida que queremos viver.

Para fechar

As doenças crônicas que mais matam no mundo são, em grande parte, consequência do estilo de vida. E olha a nossa sorte: o estilo de vida pode ser mudado.

O que importa não é o que eu sei, é o que eu faço todos os dias!

Lembre-se: toda ação traz resultados, o que você tem escolhido?

Não tem fórmulas prontas, não é da noite para o dia, mas com intenção, consciência e ação cotidiana, podemos construir uma vida mais saudável.

E para quem já convive com alguma dessas condições: o caminho também passa por aqui. Estilo de vida é tratamento.

A medicina mais atualizada de hoje é sobre estilo de vida. 

Olhe para o seu dia a dia e pergunte, com curiosidade e sem julgamento, o que você está construindo. Se precisar de ajuda, me escreva.

Eu sempre digo: dá trabalho construir saúde, mas eu não queria saber como é cuidar de doença.

O que você está plantando hoje para a saúde que quer ter amanhã?

Não espere um diagnóstico para agir.

Saúde é ação.

E você, saberia dizer o que está construindo?

Um beijo grande,

Marina Rondon

Arquiteta de Vida

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Marina Rondon

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É por isso que criei outros espaços para aprofundar essas reflexões e outras conversas. Conheça também meus outros projetos:

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Espero te encontrar também por lá.

Saúde é uma jornada de pequenos passos, e não um destino.

Aliás, onde você me conheceu? Vou adorar saber mais sobre você.

Marina Rondon
Arquiteta de Vida | Criadora do Método Rondon

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